Em miúdo, assim como os outros miúdos não percebíamos para que raio eram os bits, julgávamos nós que imperava a razão: mais bits, melhores gráficos, melhor som, melhores jogos. Ponto final.
Bem, não estará assim tão longe da verdade assim, mas, há muito a dizer disto e até que ponto isto será verdade.
Acompanhei a evolução desde a Sega Master System e a sua rival a Nintendo Entertainment System ou NES, os dois colossos na altura em plena era 8 bits até porventura a altura em que o termo "bit" foi descartado e arrisco a precisar que terá sido na chamada geração 128 bits (Dreamcast e Playstation 2... X-Box??). E observo agora com algum cepticismo à mistura, a novíssima geração Xbox One e Playstation 4, e farei algumas considerações acerca destas duas últimas. Porque não?
8 BITS
Aí estão elas, quem não as conhece? Ambas estas consolas da era 8 bits, são de fácil definição, ambas são equipadas com um microprocessador de 8 bits. E os bits referentes à capacidade de uma consola são isso mesmo, os bits do processador ou CPU que a equipa, pelo menos a nível de marketing, que foi o principal responsável por todo esta luta de bits. Tecnicamente há quem caracterize em bits um CPU pela tamanho dos registos com que efectua cálculo com inteiros (integer). Embora possa efectuar outras operações com um tamanho diferente de dados (leitura e escrita na memória por exemplo).
Os processadores presentes nestas consolas são na NES um Ricoh 6502 e na máquina da Sega um Zilog Z80. Poderá haver ligeiras alterações no seu desempenho já que ambos os microprocessadores são datados da segunda metade da década de 70.
16 BITS
A era 16 bits, uma das eras fantásticas dos vídeo jogos sem dúvida. Os dois titãs continuaram a ser as velhas rivais Sega e Nintendo. A Sega Mega Drive, e a Super Nintendo.
Aviso desde já a quem ler isto, que atacarei com alguma ferocidade a máquina da Sega, derivado à SNES ter sido a minha primeira consola, e por tácticas de marketing que a Sega na altura utilizou que mais recentemente foram usadas pela Pepsi contra o capitão da selecção de futebol portuguesa.
Nesta geração ambas as consolas usam CPU's de 16 bits, a SNES com um Ricoh 5A22 "alterado", e a Mega Drive com um Motorola 68000. A Mega Drive usa também o Zilog Z80 para controlo do processamento de som e retro-compatibilidade.
Duas máquinas bastante poderosas para a altura, o que emergiu uma nova luta desta vez com os megahertz (farei mais tarde uma entrada no blog acerca desse mito também), a Sega alegando que os 8 Mhz do Motorola 68000 "cilindravam" os parcos 4 Mhz do CPU da SNES. Recorrendo a uma tecnologia chamada blast-processing os jogos da Mega Drive eram mais rápidos e com mais acção que a SNES. Uma grande treta. O blast-processing era um mito de marketing, pura e simplesmente.
Na verdade, embora com um CPU "mais lento", a SNES tinha uma capacidade gráfica bastante superior para a altura, e um processamento de som "made by Sony" que acho pessoalmente vergonhosa a descrepância de qualidade em comparação com a máquina da Sega.
Mas há mais, por falar em vergonha, a Sega lançou um add-on o 32X, ena, 32 bits na Mega Drive que espectáculo! Mais bits, melhores gráficos, melhor som... não, nem por isso.
Equipado com 2 microprocessadores Hitachi SH-2 de 32 bits a 23 Mhz, tinha tudo para vencer a guerra. Se não tivesse que ser acoplado em cima da consola, a funcionar com hardware de 16 bits em simultâneo. E depois mais o Sega CD, outro tiro no pé. Soa bem ter num hardware completamente funcional a 16 bits, uma unidade de processamento a 32 bits? Sendo o hardware a 16 bits o responsável por todo o sistema?
Não, não faz, mas para a Sega fez e pagou por isso assim como reza a história.
A Nintendo teve uma ideia mais discreta e incluiu ao longo do tempo os chamados FX chips. Eram chips que vinham colocados dentro da placa do cartucho do jogo e conferiam geralmente algum processamento extra consoante o jogo. Houve chips desde compressão de sprites, chips com algumas instruções extra para manusear sprites (escala, rotação, etc) até chips que conferiam processamento de polígonos 3D.
Embora tenha sido extensa esta última parte, o ponto a focar é que o CPU com lá está, os tais bits, começa-se a notar uma melhoria dos componentes de processamento de som e imagem, assim descentralizando um pouco a influência do CPU para a prestação geral da máquina.
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